Centro de Saúde de Olhão — condições de organização e funcionamento

Reflectir para melhorar

             Com o inquérito aos funcionários pretendíamos averiguar a sua opinião sobre alguns aspectos que consideramos essenciais para um bom desempenho das suas funções como o material de que dispõem para trabalhar, a relação entre os diferentes sectores e a qualidade das instalações.

 

             Relativamente à primeira questão esperávamos deparar-nos com funcionários insatisfeitos tanto com a qualidade como com a quantidade do material disponível e, de facto, as respostas coincidiram com as nossas expectativas. É importante salientar que no grupo dos mais queixosos estão incluídos a maioria dos enfermeiros inquiridos pois esta deficiência pode afectar a qualidade do trabalho prestado. Sem os recursos adequados podem surgir limitações e as tarefas destes profissionais de saúde ficam dificultadas fazendo com que os utentes saiam prejudicados. Por outro lado, quem se mostrou mais satisfeito com o material de trabalho foi o sector da limpeza e, apesar de a amostra recolhida não ser muito significativa, este é um ponto positivo pois um bom nível de higiene é bastante importante numa instituição de saúde.

 

             Na segunda questão do inquérito pretendeu-se analisar a relação entre os diferentes sectores existentes no Centro de Saúde de Olhão, uma vez que uma entidade deste tipo exige uma cooperação recíproca entre as diferentes unidades para que a missão que perseguem seja desempenhada com maior eficácia. Assim, obtivemos um resultado maioritariamente positivo, já que, muitos dos inquiridos classificaram a relação existente como razoável ou boa. Contudo, no nosso contacto pessoal verificámos que os funcionários pertencentes à USF eram os mais afectados relativamente à falta de cooperação com as restantes unidades.

 

             No nosso inquérito abordámos ainda a opinião de cada um em relação às instalações e o mesmo fizemos no questionário dirigido aos utentes. Comparando as classes inquiridas ( funcionários e utentes ) observámos uma pequena discrepância nos resultados, visto que, muitos funcionários afirmam que o Centro de Saúde de Olhão não apresenta condições materiais e apenas 4% dos utentes partilham esta opinião. Neste segundo grupo a maioria dos questionados considera que as instalações são razoáveis, no entanto foi através destes que nos foram transmitidas a maioria das falhas, tais como: a insuficiência de luminosidade tanto nos corredores como nas salas de espera, a ausência de fraldários e a existência de repassos no telhado do edifício propícios à queda de chuva no local. Esta última foi a única falha também assinalada pelos funcionários. Estes resultados merecem uma especial atenção pois a população que frequenta uma instituição de saúde apresenta-se, normalmente, fragilizada, sendo bastante importante o conforto oferecido pelas instalações. No caso do Centro de Saúde da nossa localidade observa-se uma insuficiência a este nível que se traduz nas diversas falhas assinaladas as quais deveriam ser melhoradas com vista a oferecer um maior nível de comodidade e melhor ambiente de trabalho.

 

             Quanto ao funcionamento do Centro, questionámos os utentes acerca da dificuldade em arranjar uma consulta neste local e as respostas obtidas foram bastante diversificadas, vejamos: 32% dos doentes alegam marcar consulta rapidamente em oposição aos 34% que afirmam nunca arranjar consulta para o próprio mês. Devido à experiência pessoal de cada elemento do grupo, quando elaborámos a questão em causa, não contámos com tantos utilizadores deste serviço satisfeitos com as consultas disponíveis e surgimento desta contradição nos resultados, juntamente com a  impossibilidade de identificar a sua origem, dificultou a análise conclusiva dos dados.

 

             Outro aspecto por nós estudados foi o tempo médio de espera para ser atendido e, optámos por observá-lo separadamente no Centro de Saúde e no SAP, uma vez que, o modelo de atendimento difere nestas duas unidades: consultas com marcação e serviço de urgência, respectivamente.

             Em relação ao Centro de Saúde verificámos que os utentes, em grande maioria, esperam entre 1 a 3 horas para ser atendidos, enquanto que uma pequena percentagem espera menos de um hora. Estes resultados foram muito mais satisfatórios do que os encontrados no SAP, já que, neste último, 48% dos inquiridos afirma esperar de 3 a 6 horas até ser consultado por um profissional de saúde e, apenas 44% da amostra estudada aguarda entre 1 a 3 horas. Quanto aos dados recolhidos nesta questão, consideramos que os resultados manifestados no Centro de Saúde deveriam ter-se observado, também, no Serviço de Atendimento de Urgência de Olhão, o que de facto não aconteceu levando-nos a concluir que existe uma deficiência a este nível pois, quem se dirige a um serviço de urgência deve ser atendido num menor espaço de tempo possível.

 

Achámos também relevante, abordar os inquiridos acerca da atitude dos funcionários do Centro de Saúde de Olhão, tanto os admistrativos como os médicos e enfermeiros. De acordo com a maioria dos utentes, os recepcionistas que trabalham neste instituição são prestáveis e os médicos e enfermeiros são humanos e competentes. Assim, a realização desta questão, permitiu ao grupo reconsiderar a visão pré-formada possuía sobre este aspecto, melhorando-a, uma vez que, apesar de os recursos materiais não serem os melhores por apresentarem diversas falhas, este engloba recursos humanos de qualidade, algo que no ramo da saúde é extremamente importante. Muitas das pessoas que se dirigem a uma instituição deste tipo encontram-se debilitadas e precisam de ser recebidas por profissionais que as orientem e saibam responder às suas necessidades de forma competente e humanitária.

 

Como conclusão dos inquéritos, questionámos os inquiridos sobre os aspectos que seriam necessários melhorar e pedimos que escolhessem os dois itens, na sua opinião, prioritários. Entre os funcionários abordados houve consenso quanto à necessidade de melhorar a qualidade das instalações, já que 30 dos 38 inquiridos assinalaram esta opção. As restantes hipóteses revelaram resultados bastante semelhantes, mostrando que a mostra se apresentava dividida sobre o segundo aspecto a modificar. Observando mais atentamente esta questão podemos, ainda, concluir que a higiene é um aspecto em relação ao qual os funcionários assumem menos queixas. Durante o desenvolvimento deste inquérito, esta foi a pergunta que levantou mais dúvidas, uma vez que, os inquiridos pretendiam assinalar todas as opções e tiveram alguma dificuldade em limitar a duas as escolhas.

 

Para os utentes preparámos uma questão semelhante com um leque de respostas diferente, visto que, os dois grupos abordados têm necessidades distintas e são afectados por diferentes problemas.

Quando confrontados com os aspectos a melhorar no Centro de Saúde, a maioria dos inquiridos considerou que, para um melhor funcionamento do mesmo é fundamental o aumento do número de vagas, enquanto que, 24 dos utentes escolhidos são da opinião de que o melhoramento das instalações é igualmente importante e necessário. Alguns concordam que existe uma carência no que diz respeito ao pessoal disponível, enquanto que outros alegam que esta entidade deve adoptar um melhor atendimento ao público. Das 50 pessoas inquiridas apenas uma minoria defende que a higiene é o ponto fraco do Centro de Saúde/SAP de Olhão o que, mais uma vez, demonstra que esta entidade é bastante satisfatória em termos de higiene.          

 

 

Após termos realizado uma pesquisa sobre o que é um Centro de Saúde e como este deve funcionar, visitado por diversas vezes esta instituição da nossa localidade para recolher dados sobre a sua dinâmica e por fim, elaborado um inquérito aos seus funcionários e utentes, o grupo reuniu informação suficiente para tirar algumas conclusões acerca desta entidade.

 

Quanto à organização dentro do Centro de Saúde, verificámos que este possui mais unidades do que as estipuladas na lei, uma vez que este além de disponibilizar à população, a unidade de Saúde Familiar, a unidade Operativa de Saúde Pública e a unidade de Cuidados na Comunidade, dispõem ainda das unidades de internamento e diagnóstico. No que diz respeito à última, esta poderia revelar-se mais eficiente, caso o Centro utilizasse todo o material que possui, o que não acontece. No decorrer do nosso projecto, constatámos que este dispõe de material de radiologia, o qual se encontra inactivo, já que a sua utilização requer a presença permanente de um técnico especializado nessa área. No entanto, consideramos que se deveria apostar em recursos que activassem este serviço, uma vez que tornaria o SAP mais completo, no sentido de facilitar alguns tipos de diagnóstico, como o de fracturas.

 

Reparámos também, que o serviço de ultra-som (ecografias), apenas se encontra disponível uma vez por mês, o que poderá condicionar alguns cuidados prestados pelo Centro de Saúde de Olhão, como as consultas de saúde materna. Nestas últimas observa-se uma grande afluência de futuras jovens mães, que se dirigem a este local para vigiar a sua gravidez, já que não possuem recursos monetários para cobrir as despesas de um médico privado. Por este motivo, o grupo é da opinião que o serviço de ecografias deveria realizar-se com maior frequência, para conseguir responder mais eficazmente às necessidades deste grupo da população.

 

Soubemos também, que nesta instituição ocorre a realização de análises clínicas ao sangue e à urina, contudo, os resultados destas são limitados, permitindo apenas detectar a presença/ausência de infecções no organismo do paciente. A prestação deste serviço é bastante positiva, pois não seria razoável exigir uma maior especificidade nestas análises, visto que isso implicaria a existência de um laboratório de análises clínicas dentro do próprio Centro.

 

Relativamente à unidade de Saúde Familiar, ficámos bem impressionados com os benefícios que esta oferece aos seus utentes. Por este motivo, consideramos que seria positivo para o Centro de Saúde de Olhão, alargar este serviço, tornando-o acessível a um maior número de utilizadores.

 

No que diz respeito às instalações, verificámos que existe um nível de higiene muito elevado, visto que a limpeza é realizada várias vezes ao dia, estando assim, em constante manutenção. Outro dos aspectos extremamente bons nas instalações do Centro, é a existência de estruturas para deficientes motores, como se verifica nas casas de banho. Por outro lado, deparámo-nos com diversas falhas ao nível das infra-estruturas, como a iluminação insuficiente, a existência de fendas no telhado dos edifícios e a ausência de fraldários, estes últimos deveras importantes, uma vez que grande parte dos utilizadores do Centro são crianças e bebés acompanhados pelos seus familiares.

O melhoramento destes aspectos está dependente da disponibilização de recursos monetários por parte do órgão responsável, já que as modificações implicadas no processo de melhoramento do Centro de Saúde de Olhão só são possíveis, caso existam verbas que possam ser utilizadas para este fim.

 

             Quando iniciámos o nosso trabalho, uma das vertentes que pretendíamos estudar, era a qualidade dos recursos humanos existentes nesta instituição. Assim, adoptámos duas estratégias diferentes: o contacto directo com os funcionários do Centro durante as nossas deslocações ao local, e a recolha de opiniões junto dos utentes. Constatámos então, que este é um dos pontos fortes desta entidade, uma vez que os seus funcionários administrativos (recepcionistas) mostram-se prestáveis e atenciosos no desempenho das suas funções e a relação utente / funcionário é bastante satisfatória. Achamos ainda que o número de enfermeiros e médicos é adequado às necessidades da população, contudo, consideramos que estes últimos, deveriam ser mais rigorosos no cumprimento dos seus horários, de forma a evitar a espera prolongada a que os utentes são sujeitos.

 

Relativamente ao Serviço de Apoio Permanente do Centro de Saúde de Olhão, observámos que os utentes esperam demasiado tempo até serem atendidos, o que não deveria acontecer, já que quem se dirige a esta unidade necessita de cuidados urgentes, e uma espera prolongada pode agravar a sua situação. Para minimizar este problema, o grupo sugere a existência de um médico de prevenção, que esteja disponível caso se verifique uma grande afluência de doentes a este serviço, de modo a tornar mais rápido o atendimento dos pacientes.

 

Quando nos deslocámos ao SAP, reparámos que a sala de espera deste, não reúne condições para o tipo de doentes que diariamente ali se dirigem, já que dispõe de um número reduzido de cadeiras e não transmite conforto aos seus utilizadores.

 

No decorrer do nosso trabalho, deparámos-mos com aspectos menos bons do Centro de Saúde de Olhão, contudo, encontramos também aspectos extremamente bons, entre eles os projectos promovidos por esta instituição dirigidos à comunidade. Desses projectos destaca-se a existência de uma equipa de técnicos que dá formações nas escolas, preocupados em educar a comunidade em temas relacionados com a vacinação, sexualidade, saúde oral, alimentação e outros.

É importante referir que o Centro de Saúde realiza periodicamente campanhas de prevenção de doenças de grande impacte social, como o vírus da SIDA e a Meningite C.